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Alucinação


 Ouvia-o, sua sombra era visível, sua aparência graciosa, mas quando iria toca-lo, ele se afastava e dizia ter que ir para qualquer lugar e que logo voltaria. Ele existia, mas não estava lá, não pra nós. Alucinação.
Ele garantia seu bem estar, a protegia da realidade, causando imenso contentamento em sua vida, mas ele pedia que guardasse segredo sobre sua existência, as pessoas de fora eram maldosas e diriam que ele não era real, iriam destruí-lo. E olhando fixamente nos  olhos dela:
- Você confia em mim? Eu realmente existo não é?
- Sim, eu confio, sim. Você existe, você é minha maior alegria e esta comigo desde pequena, claro que você existe, que besteira.
Ela podia sentir o perfume que ele usava, uma essência de café, de tarde chuvosa.
E jamais comentou com qualquer pessoa sobre a existência dele, quando a questionavam sobre seus relacionamentos, a voz dele ecoava na sua mente “Não conte sobre mim, jamais”, então ela apenas comentava algo sobre estar bem.
De inicio, com quinze anos, ela conversava em seu quarto com um amigo, e quando sua mãe questionava com quem ela estava conversando, ela dizia que estava no celular, no inicio ela sabia que ele não era real, mas com o passar do tempo, sua mente criou algo maior, não era apenas uma voz, ele havia criado uma aparência física, e tinha suas próprias vontades. Ela acabou esquecendo que ele era apenas alguém idealizado por ela, ele se tornou constante.
Mas analisando de fora, ele era apenas alguém criado pela mente dela para mantê-la segura, ele era a base dela, ele existia e ela existia por causa dele.
Ela acabou imersa em uma alucinação, que criou quando adolescente e como ela mantinha segredo, ela jamais seria tirada de lá e ele dela.

Com alguns sentimentos fazemos o mesmo acreditamos que ele exista, e ele realmente existe, mas apenas para si mesmo, despertar dessa alucinação sentimental é terrível, mas claramente necessário.
 O que você prefere a doce alucinação ou a amarga realidade?


Escrito por: Andréia Freire.